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Resenha: "As familias e as novas sexualidades"

As famílias e as novas sexualidades é o primeiro capítulo do livro “Novas fronteiras da clínica
psicanalítica de casal e família”
organizado por Magdalena Ramos, que teve sua primeira
edição pela editora Escuta, em 2016. Importante tema que suscita uma longa conversa atualmente.

 

 

A autora do capítulo, Miriam Chnaiderman, promove essa vontade de conversar
nos ofertando um texto, intenso, porém breve. Psicanalista e documentarista, abre o texto
com o trecho de fala de seu documentário “De gravata e unha vermelha”, finalizado em 2014.
No trecho em questão, o avô Letícia Lanz vai ao supermercado com o neto, que pede: “vô,
compra bala pra mim, vô”. A moça (não definida no trecho) diz: “não é o vô, é a vó” e o neto
responde: “É o meu vô”. Na verdade, o vô Geraldo Eustáquio é Letícia Lanz, cuja história é
contada no documentário de Chnaiderman.

 

O interessante que, logo de cara, chama a atenção a possibilidade de uma família no contexto das novas sexualidades, uma nova fronteira, para além das novas configurações familiares já muito estudadas e que, apesar de novas, apresentam mudanças relacionadas à orientação sexual na maioria, como as homoafetivas.

 

Atual e importante, essa discussão amplia nossa percepção para famílias onde a troca de
vínculos entre os membros pode incluir gêneros binários e não binários. Nesse sentido, a
autora inclui alguns questionamentos quanto à questão da sexualidade diferente como
“abjeção” (citando Julia Kristeva), discutindo a sua característica paradoxal de, ao mesmo
tempo que quebra sistema de regras, também mantém um funcionamento social.

 

Esses questionamentos são ainda mais pertinentes para a Psicanálise e vínculos familiares, no
estudo sobre a constituição psíquica frente às novas configurações vinculares. Nesse sentido, a
autora discute também sobre alguns aspectos das questões edípicas frente a essas novas
configurações, apontando a necessidade de repensar a lógica fálica.

 

O texto realmente abre um leque (como os espanhóis, bem grandes!) de possibilidades para pensar, ligando áreas de estudo sobre famílias. Na verdade, urge repensarmos a família em sua função de constituição psíquica e não de sua composição sexual.
 

CAPÍTULO “AS FAMÍLIAS E A NOVAS SEXUALIDADES” DO LIVRO “NOVAS FRONTEIRAS DA CLÍNICA PSICANALÍTICA DE CASAL E FAMÍLIA”

Ramos, M.(org). Novas fronteiras da clínica psicanalítica de casal e família. São Paulo: Escuta

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